A retomada começa a partir do momento em que as pessoas “saem de casa”. Mas quando falamos de transporte coletivo, não se trata apenas de transporte público (ônibus, metrô etc.), mas também do transporte privado (turismo, fretados, escolares, entre outros). Neste contexto, como saber se um veículo do transporte coletivo está realmente seguro? O que as empresas têm feito para proteger os profissionais e usuários? Que soluções a Limpeza Profissional oferece de higienização para o setor?

Assim como a Limpeza Profissional, o setor de Transporte Coletivo tem estado na linha de frente durante a pandemia, transportando os profissionais que não podem parar e precisam chegar ao seu local de trabalho. Mas é preciso manter a saúde e segurança dessas pessoas. E o segmento, como explicou Rosângela Manteigas (especialista em Transporte de Pessoas & Mobilidade e membro da FRESP), precisou se adaptar a essa nova realidade.

Gestão de limpeza e higienização já eram parte da nossa ‘lição de casa’. Com as novas necessidades vindas da pandemia, a primeira coisa que fizemos foi contratar um especialista na área de Limpeza. Foi ele que nos norteou sobre o que fazer, sobre que produtos usar, quais máquinas, o que realmente é eficaz, oferecendo um ambiente que trouxesse a maior proteção possível aos usuários dos ônibus”.

O mercado de Limpeza Profissional também se adaptou com rapidez para atender às novas demandas. “Antes da pandemia, já contávamos com pulverizadores, nebulizadores, lavadoras de piso ou aspiradores com filtro HEPA. Mas acho que a grande sacada do setor foi saber adequar os equipamentos a esse momento de pandemia”, disse Ricardo Nogueira, vice-presidente Executivo da Abralimp.

Por conta da alta demanda e até escassez de alguns equipamentos, foi preciso reinventar. “Houve uma procura muito grande por nebulizadores, por exemplo, que são equipamentos que soltam pequenas partículas do produto, como uma névoa aplicada ao ambiente. Como esses equipamentos se esgotaram rapidamente, o mercado teve a ideia de adaptar os pulverizadores (que em geral são usados no agronegócio), colocando neles um novo bico, para que as partículas líquidas saíssem em gotículas menores, fazendo o mesmo efeito dos nebulizadores”.

A Limpeza Profissional também trouxe soluções na área da robótica, como é o caso dos robôs aspiradores e das lavadoras autônomas – algumas já em teste em estações de metrô e ônibus – que têm como vantagem limpar com mais frequência sem a necessidade do operador, o que aumenta a proteção dos trabalhadores em relação à Covid.

Quanto aos químicos, logo no início da pandemia, a Anvisa emitiu uma nota técnica sobre quais eram os princípios ativos mais indicados. “Dentre eles, estão os detergentes multiuso, o álcool 70%, os produtos à base de peróxido de hidrogênio, muitos deles dois em um, ou seja, que limpam e também desinfetam, além do quaternário de amônio, com destaque para o de 5ª geração, que tem uma ação mais efetiva na desinfecção e deixa um residual na superfície”, explicou Fernanda Cerri, membro da Câmara e Conselho Técnico de Químicos Abralimp.

Sobre o efeito residual, entretanto, é preciso lembrar que ele é consumido de acordo com a carga microbiológica do ambiente. Assim, não é possível garantir que vá agir por um tempo pré-definido, já que pode haver mais micro-organismos num ambiente do que em outro, fazendo com que o efeito acabe mais rapidamente. Além disso, é fundamental verificar a classificação desses produtos e se estão regulamentados pela Anvisa, para ter a certeza de sua eficácia e segurança.

Por fim, Fernanda lembrou que o vírus não é um ser vivo: “Ele é uma partícula envolta em uma camada de gordura, portanto, o detergente já é eficaz na dissolução dessa camada e na sua eliminação. Mas como, além do vírus, existem também as bactérias, caberá ao desinfetante entregar uma ação de higienização mais efetiva”.

LIMPEZA NÃO É CUSTO: É INVESTIMENTO

Como mencionado no início desta reportagem, o setor de transporte é bem amplo. Além do transporte público, há também o privado com fretados, ônibus de turismo, transporte escolar etc. Cada um conta com realidades de higienização diferentes. Por isso, cabe ao usuário observar certas normas para aumentar o nível de segurança. “As regras e cuidados precisam ser individuais”, lembrou Rosângela. “Ações de higienização que são corriqueiras no dia-a-dia dos fretados, muitas vezes estão longe da realidade do transporte público. Desta forma, é fundamental ter respeito ao distanciamento, ao uso da máscara e fazer a utilização do álcool gel 70%”.

Além de essencial para evitar a Covid, a limpeza também influi nas rotinas de trabalho. A ISSA, maior associação mundial de Limpeza Profissional, realizou pesquisas que comprovam que seguir normas corretas de higienização pode reduzir em 80% a possibilidade de o indivíduo contrair gripe e diminui em até 46% o absenteísmo.

“Limpeza não pode ser vista como custo; limpeza é investimento”, ressaltou Ricardo. “Além dos números da ISSA, fazer esse investimento traz economia de água, de produtos, de tempo, menos risco de acidentes e, claro, mais qualidade e produtividade. Neste momento de pandemia, mais do que nunca, limpeza é intrínseca à saúde”.

Transporte coletivo não trata de números; trata de transportar vidas. Por isso, é fundamental a decisão de fazer o que é correto em relação à limpeza. É preciso a sociedade se preparar para essa nova realidade, para o futuro diferente que está por vir – que envolverá mais saúde, mais higiene – e essa mudança de comportamento vem com o conhecimento e com a informação correta.

Fonte: Associação Brasileira do Mercado de Limpeza Profissional – ABRALIMP.